O policial militar Claudiomar Oliveira de Assis, um dos envolvidos em uma chacina em Jacy-Paraná, no final do mês de dezembro de 2011, que exterminou cinco pessoas de uma só vez, já havia sido preso no final de 2008 pelo mesmo motivo: um triplo homicídio no distrito de União Bandeirantes.
De Assis (nome de guerra do policial) recebia, segundo investigações da Polícia Civil na época, R$ 6 mil por quinzena, das mãos do latifundiário Adaildo Araújo da Silva, para dar a segurança na família. Na verdade, o empresário chefiava um grupo de extermínio composto por militares e peões de fazenda.
As investigações da Polícia Civil apontaram ainda que tanto dinheiro para financiar capangas era com o objetivo de evitar grilagem de terras na propriedade do empresário, cujo plano de manejo florestal estava avaliado em aproximadamente R$ 2 mil. Outros dois PM´s foram presos com De Assis em 2008.
O Inquérito já foi relatado ao Ministério Público. No inquérito 095/2008 que trata do triplo homicídio ocorrido dia 20 de novembro de 2008 no quilômetro 15 da linha 08, no distrito de União Bandeirantes. As vítimas dos assassinatos são os agricultores sem terra Adalto da Silva Filho (Baca), Edmilson Gomes de Oliveira e Evandro Dutra Pinto.
Foram presos, acusados pelo crime, os policiais militares Claudiomar Oliveira de Assis (PM De Assis) e Paulo César Barbosa (PM Paulo César), além de Givanildo Bezerra da Silva (Nildo) - funcionário do PM Paulo César. Samuel Ynuma Vaca (Bolívia ou Samuca), o quarto envolvido no triplo homicídio, está foragido.
Segundo a investigação, os policiais estavam á caça do agricultor José Gonçalves Filho (Zé Venço), um dos líderes do movimento sem terra. Como ele não foi encontrado, os militares detiveram, de forma ilegal, o agricultor Adalto da Silva e o torturaram para que ele dissesse onde estava Zé Venço.
“As outras duas vítimas passavam pelo local quando viram o amigo sendo torturado. Ao parar para tomar satisfação, eles também foram detidos e mortos”, denunciou na época o ex-diretor geral da Polícia Civil, Morio Ikegawa.
Os PM’s, segundo denúncia, estão envolvidos também na tentativa de homicídio ocorrida contra os agricultores Dorval Roberto da Silva e Josué Lopes Silva. Além dos três PM’s citados está envolvido o PM Jô Anemias Barbosa da Silva e os peões Givanildo Bezerra e Claudinei do Nascimento. Todos estão com prisão preventiva decretada.
Segundo investigação, Dorval Roberto e Josué Lopes seriam vítimas de queima de arquivo. Os dois são amigos do agricultor Isaías que foi executado há alguns meses e teve o corpo desaparecido. “Eles sabiam das ameaças sofridas pela vítima e por isso representavam ameaça aos militares”.
Fonte: O Rondoniense